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Conforme chegávamos mais perto da terra firme as gaivotas nos acompanhavam. E um dia decidiram que transformariam o helicóptero em poleiro. Olha só:
Foto: Luciano Pires |
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Conforme chegávamos mais perto da terra firme as gaivotas nos acompanhavam. E um dia decidiram que transformariam o helicóptero em poleiro. Olha só:
Foto: Luciano Pires |
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Conforme chegávamos mais perto da terra firme as gaivotas nos acompanhavam. E um dia decidiram que transformariam o helicóptero em poleiro. Olha só:
Uma das últimas palestras que tivemos tratou da questão da mudança climática e do aquecimento global.
Confesso que sou absolutamente cético sobre esse assunto. Não discuto que uma mudança climática esteja em curso, mas sempre a entendi como um fato geológico. Inevitável. Sempre que o homem se meteu a teorizar esse assunto, quebrou a cara.
Nos anos setenta passamos por algo parecido, quando os cientistas e a mídia juravam que estávamos caminhando para nova era glacial.
De certa forma o que nossa técnica no assunto - Susan Currie – explicou foi mais ou menos isso: o aquecimento global é um fato geológico. O problema é a velocidade com que ele vem acontecendo e aí teria a mão do homem. As atividades industriais e a constante agressão ao meio ambiente estariam acelerando a velocidade com que a temperatura está subindo. Daí nossa responsabilidade em minimizar esses efeitos.
Muito bem. Todas as sugestões apresentadas sobre o que fazer para minimizar os efeitos são sugestões óbvias, relacionadas à ignorância do homem.
Um idiota que desperdiça água lavando a calçada, um imbecil que joga as garrafas de plástico no rio ou o criminoso que derruba uma floresta sem qualquer preocupação, sofrem do mesmo mal: ignorância.
E é então que surgem as tentativas de manipulação ideológica do assunto. Existe tema melhor do que a possibilidade de extinção da humanidade para defender este ou aquele sistema econômico ou político? Assim o aquecimento global virou arma de combate ao capitalismo, abraçado pelo discurso das esquerdas e pela mídia que adora espetáculos.
O resultado é que perdemos a noção de proporção e nos atiramos em busca de soluções gigantescas, maiores que o problema. Pior: soluções para os problemas errados. Dedicamos ao tema da moda, ao tema da mídia nossos esforços. Acreditamos em tudo que é dito, principalmente se o discurso for catastrófico.
Exemplo? Em março de 2008, pouco antes de minha viagem, topei com esta notícia:
Expert: Capa polar do Ártico pode desaparecer neste verão
A notícia trazia as declarações do Dr. Olav Orheim, chefe do Secretariado do “International Polar Year” na Noruega. Ele dizia que “a camada de gelo atingiu a baixa histórica de 3 milhões de quilômetros quadrados durante as semanas mais quentes do verão passado, enquanto cobria 7,5 milhões de quilômetros quadrados antes do ano 2000. Se a temperatura média da Noruega este ano ficar igual à de 2007, a camada de gelo que cobre o Ártico derreterá completamente e isso é altamente possível diante das condições atuais.”
E o artigo continuava: conforme um relatório das Nações Unidas no ano passado, a temperatura média do planeta poderia subir até 6 graus centígrados até o final do século, causando sérios prejuízos para os eco sistemas em todo o mundo.
Em seguida o artigo prosseguia falando da crescente exploração das rotas marítimas na região e suas conseqüências para a natureza.
Reparou no tom de alarme? Eu até fiquei meio assim... Me achando o cagado que quando consegue ir pro Pólo Norte não encontra gelo...
Nada do que foi dito no tal artigo pelo tal expert aconteceu. A camada de gelo estava lá, os animais estavam lá e quando perguntei a Susan sobre isso ela foi clara: o conhecimento levantado sobre a região não é conclusivo. Pelas projeções o mundo deveria estar esfriando e não esquentando. Mas não se sabe direito as causas nem as conseqüências. Ela deu então um exemplo, falando da capacidade que o planeta tem de refletir de volta para o espaço a luz do sol. Essa capacidade está diretamente ligada ao controle da temperatura e as regiões com maior capacidade de reflexão são justamente os pólos, cobertos de gelo. Se o gelo diminuir, diminui a capacidade de reflexão.
Por outro lado, o gelo diminuindo contribuirá para aumento de evaporação das águas, que aumentarão as nuvens, que por sua vez aumentarão a capacidade de reflexão da luz solar, compensando o degelo. Pronto. Deu empate.
E assim vai. Para cada argumento existe um contra-argumento.
Os ursos polares estão morrendo? Pois existem dezenas de pesquisas demonstrando que a população de ursos está aumentando e que onde ela diminuiu foi justamente nas regiões mais frias. Outras pesquisas mostram que os caçadores matam 3 vezes mais ursos do que o aquecimento global, o que quer dizer que combater a caça aos ursos é três vezes mais eficiente do que combater o aquecimento global. E infinitamente mais barata. Mas pouco ou nada se fala sobre isso.
E por aí vai.
Exageros, comportamento passional, medo, má intenção, manipulação ideológica, interesses comerciais, é isso que vejo em primeiro lugar na discussão do aquecimento global. E isso basta para que eu seja absolutamente cético sobre os dados que são apresentados pela mídia, mesmo em documentários que ganhem o Oscar.
Estamos diante do novo Bug do Ano 2000, aquele terrorismo que enriqueceu muita gente e não deu em nada.
Mas como todo tema ideológico a questão das mudanças climáticas é quente (sem trocadilho) e vai gerar muita discussão e perda de tempo e recursos, sem conclusão.
Adicione o tema “aquecimento global” à mesma prateleira onde estão o criacionismo X evolucionismo; armamento X desarmamento, ciência X religião. É mais uma discussão sem fim.
As pessoas me perguntam o que mudou em minha consciência ecológica, em minha percepção sobre o aquecimento global com a viagem ao Pólo Norte e eu digo: nada!
Fui um e voltei o mesmo.
Mais encantado, mais assombrado, mais elucidado, mais deslumbrado com o que vi. Mas com as mesmas convicções de que estamos falando do resfriado em vez de tratar da pneumonia. E que tem muita gente interessada nessa falta de foco da discussão.
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