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Um deserto de gelo.
Foto: Luciano Pires |
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Foto 1: A roupa-padrão...
Foto 2: A neve pelo navio
Foto 3: A ponte de comando.
Foto 4: O sol da meia noite
Fotos: Luciano Pires |
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O mico do beijo no peixe.
Foto: Juan Carlos Espinosa |
Opa! Já chegamos aos 82 graus norte e a temperatura lá fora baixou para 1 grau. O bicho ta pegando, viu?
Projeto para o dia: café, blábláblá, almoço, blábláblá, rosquinhas, blábláblá e jantar. Mas hoje tem um dinner especial é a “Neptune’s Ceremony & BBQ Dinner”. Pedem que usemos roupas de acordo. Que roupas? Só tenho um tipo de roupa: a de explorador amador. Mais nada, pô. Se bobear nem vou.
Hoje pegamos gelo mais forte. O barco tem balançado bastante e faz muito barulho. Saímos da área onde existiam os blocos de gelo independentes para entrar onde o gelo é contínuo. É impressionante como o navio parte pra cima do gelo sem tomar conhecimento.
As pegadas de urso polar desapareceram. Este lugar é um deserto sem vida. Gelo para todo lado, neblina de quando em quando e o sol brilhando tímido lá no fundo. É verdade, o sol está lá sim, meio apagado pela neblina, mas marcando presença.
Pegamos neve também. Sair lá fora para tirar fotos é uma aventura. Pareço um astronauta com aquela parca. E a cada dia que passa mais admiro os caras que estiveram aqui 100/150 anos atrás, viu? Não dá para imaginar o sofrimento que passaram em suas viagens para este fim de mundo. Se eu, com todo o conforto e mordomia, fico incomodado, imagine eles... Os caras eram feras sim.
Hoje almocei com uma americana simpática. Já é avó, tem quatro filhos todos na casa dos quarenta anos, separou-se do marido e decidiu voltar a trabalhar e viajar. Veio na viagem sozinha! Ontem no jantar foi um trio da Suécia. Uma velhinha que é uma figura, engraçadíssima, com mais de oitenta anos, de bengalinha e com uma carinha parece um cartum. Simpaticíssima. Com ela um sujeito meio quietão, que ficava vermelho quando saía no frio e uma moça mais nova e faladeira, que deixou o marido em casa. Com ela tive um diálogo interessante, sobre o papel que desempenhamos como modelos de vida, como pais, para nossos filhos, ao optarmos por fazer viagens como estas. Loucuras. Pessoalmente acho que tem um valor oculto nessas opções, no qual as pessoas não prestam atenção. Imagine o que se passa pela cabeça de um filho, uma filha, ao ver o pai ou a mãe escolher fazer viagens assim, completamente fora da normalidade, do padrão. Isso deve ter um impacto sobre suas escolhas futuras sim senhor, sobre a necessidade de fazer as coisas de forma diferente, fora do convencional. E quanto será que vale isso? Pra maioria das pessoas “normais”, não deve valer nada...
De teimoso fui assistir outra palestra, desta vez sobre a conquista da passagem norte. O assunto me interessa bastante e o palestrante foi o mesmo Louis. A palestra foi a mesma merda. Dormi de novo. Eu não aprendo...
Subi até a ponte de comando pela primeira vez, para ver os caras pilotando o navio. Estava uma correria, se entendi direito eles estavam tentando manobrar o navio para que pudéssemos descer numa posição onde o vento não incomodasse. A idéia é que teríamos um “barbecue” no gelo. Mas parece que não deu certo, o gelo estava quebradiço ou perigoso, continuamos no navio e o tal churrasco aconteceu na sala de jantar mesmo, quando fizeram uma cerimônia para Netuno, pedindo permissão para passar dos 85 graus norte. O principal momento da cerimônia foi quando todo mundo teve que ir lá na frente dar um beijo na boca de um peixe. Eu fui. Mico... Mas americano adora essas bobagens e tudo virou festa.
Depois do jantar assisti a um filme da National Geographic sobre o Ártico e fui pro meu quarto.
Quando eram 11 da noite, entra um puta sol pela minha janela! Olhei para fora, céu azul e sol brilhando! Não tive dúvidas, vesti minha roupa de frio e me mandei para filmar e tirar fotos. Lindas cenas, a cobertura de gelo para todo lado e o navio seguindo em frente. E fui assim até meia noite e meia, com sol forte e cores lindas. Se isto aqui é o verão, imagine como será o inverno...
Voltei para o quarto e tentei dormir, sem sucesso, rolei na cama até cinco da manhã, quando peguei no sono, mas logo era hora de acordar.
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